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Não sou mulher de minutos

Daquelas que os segundos varrem para debaixo do tapete sujo

Não pinto os cabelos de fogo

Nem faço tatuagem no umbigo

Me recuso a usar corpetes e cinta-liga

 

Há sementes em meu ventre

São poemas que ainda não reguei

Prefiro guardá-los em silêncio

Até que o tempo amadureça meus minutos

E a vida me contemple com seus frutos

 

Não borro meus cílios com a solidão da noite

Nem pinto meu rosto com a palidez das manhãs

Meu corpo é feito de marés

Onde navegam mil anseios

Veleiros sem direção

Estou sempre na contramão

 

 

* foto do cabeçalho: lúcia letra